Stablecoins dominam transações e ditam tendência no mercado cripto
Moedas digitais estáveis, lastreadas em dólar, ganham espaço e já representam a maior parte do volume cripto no Brasil. Usuários buscam proteção contra a volatilidade, usando stablecoins para pagamentos e remessas, enquanto autoridades correm para regular o setor.
CRIPTOMOEDAS 01/01
Redação Bolsa Descomplicada
1/1/20264 min read


As stablecoins – criptomoedas de cotação estável – tornaram-se protagonistas no mercado em 2025 e começam 2026 como peça-chave para iniciantes e veteranos. Diferente do Bitcoin, essas moedas digitais têm preço vinculado a ativos reais, geralmente o dólar americano, o que elimina grande parte da volatilidade. Em outras palavras, uma stablecoin vale aproximadamente R$ 5 hoje, amanhã e semana que vem, mantendo paridade de um-para-um com o real ou dólar, de forma semelhante às fichas de festas juninas trocadas pelo mesmo valor em dinheiro.
Essa estabilidade conquistou os brasileiros: atualmente, até 90% do volume de transações cripto no Brasil ocorre em stablecoins, segundo dados da Receita Federal. Ou seja, de cada R$ 100 movimentados em criptomoedas no país, R$ 90 são em moedas estáveis como USDT (Tether) ou USDC (USD Coin), que têm valor de face sempre próximo a R$ 1 (no caso de stablecoins pareadas ao dólar).
O apelo das stablecoins está na segurança contra oscilações bruscas e na facilidade de uso. Muitos brasileiros adotaram stablecoins como reserva de valor e meio de pagamento digital. Por exemplo, é comum comprar USDT para se proteger da desvalorização do real ou enviar dinheiro ao exterior, já que essas moedas permitem transferências internacionais rápidas, com baixas taxas, fora do sistema bancário tradicional. Essa prática ganhou tração nos últimos dois anos, especialmente entre jovens e pequenas empresas, porque evita a burocracia e os custos do câmbio convencional. Com o real perdendo valor em alguns momentos e os juros altos, muita gente viu nas stablecoins uma forma simples de dolarizar parte de seus recursos ou fazer pagamentos online em sites internacionais sem surpresas de preço.
Outro fator do sucesso das stablecoins no Brasil é a integração com serviços locais. Fintechs e corretoras passaram a oferecer stablecoins em suas plataformas, e já existem casos de cartões pré-pagos que permitem carregar saldo em stablecoin para uso no dia a dia. Além disso, o PIX, sistema de pagamento instantâneo brasileiro, pode em breve se conectar a redes de pagamentos internacionais – cenário em que as stablecoins teriam grande utilidade para transferências entre países quase em tempo real. Estimativas indicam que o mercado cripto brasileiro movimenta cerca de US$ 6 a 8 bilhões por mês, principalmente impulsionado por stablecoins atreladas ao dólar. Esse volume mensal pode crescer ainda mais à medida que tais moedas estáveis se popularizam como alternativa para enviar e receber dinheiro de forma ágil.
Com tamanho crescimento, as stablecoins estão ditando tendências e preocupações regulatórias. Autoridades fiscais e monetárias já se mobilizam para trazer esse segmento para dentro das regras. A Receita Federal anunciou a implementação do sistema DeCripto em 2025, que torna obrigatório o reporte detalhado de transações com criptoativos – um reflexo direto do avanço das stablecoins e do volume que elas movimentam. Já o Banco Central do Brasil prepara para 2026 novas licenças e exigências para empresas de criptomoedas, incluindo critérios de capital mínimo, segurança cibernética e prevenção à lavagem de dinheiro. A ideia é garantir que emissores e corretoras de stablecoins tenham reservas sólidas (lastro em ativos reais) e mecanismos de proteção ao consumidor, evitando riscos de colapsos que poderiam abalar usuários – em analogia, garantir que o “dono da festa” tenha dinheiro em caixa para honrar as fichas emitidas.
Um desenvolvimento importante é que até mesmo a B3, a bolsa de valores brasileira, planeja lançar sua própria stablecoin. A operadora da bolsa anunciou que pretende colocar em circulação, no primeiro semestre de 2026, uma stablecoin lastreada em reais para facilitar a liquidação de tokens e ativos digitais em seu ambiente. Essa iniciativa surge após o Banco Central ter pausado os testes do Drex (projeto de real digital), indicando que o mercado busca alternativas para transações digitais de forma segura. Com a stablecoin da B3, investidores poderiam negociar tokens e ações tokenizadas utilizando um ativo estável emitido pela própria infraestrutura do mercado financeiro tradicional, unindo o mundo cripto ao convencional. Grandes bancos internacionais também estão de olho nessa tendência: instituições como JPMorgan e Goldman Sachs avaliam criar suas stablecoins internas, e projeções indicam que o valor total dessas moedas estáveis pode ultrapassar US$ 1 trilhão até 2030.
Para o usuário comum, as stablecoins representam uma porta de entrada mais amigável no universo cripto. Sem a montanha-russa de preços do Bitcoin ou de altcoins, elas permitem aprender sobre carteiras digitais, exchanges e blockchain com menor risco financeiro imediato. É como ter “dólares digitais” guardados: a pessoa sabe que 1 unidade vale aproximadamente 1 dólar, conferindo previsibilidade. Entretanto, especialistas alertam que risco zero não existe. Problemas de confiança podem surgir se a empresa por trás da stablecoin não tiver lastro suficiente ou enfrentar problemas (como ocorreu em casos internacionais no passado). Por isso, é fundamental escolher stablecoins de emissores conhecidos e regulados, e ficar atento às notícias do setor. Apesar desses cuidados, o consenso é que as stablecoins vieram para ficar e devem crescer ainda mais em 2026, impulsionando a adoção cripto no Brasil e no mundo ao conectar a economia digital à estabilidade das moedas tradicionais.
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