Retrospectiva 2025: tendências, setores em alta e moedas de melhor desempenho

Retrospectiva do mercado cripto em 2025: ano de extremos com novos recordes seguidos de correção acentuada. Tendências como finanças descentralizadas, tokens de privacidade e projetos de IA ganharam destaque, enquanto Bitcoin e Ethereum fecharam em queda. Algumas altcoins dispararam milhares por cento, contrastando com outras que desabaram – um balanço que deixa o mercado mais experiente para 2026.

CRIPTOMOEDAS 30/12

Redação Bolsa Descomplicada

12/30/20255 min read

Bitcoin
Bitcoin

O ano de 2025 foi marcante para o mercado de criptomoedas, combinando novos recordes históricos e fases de correção acentuada. No primeiro semestre, um forte rali elevou os preços: o Bitcoin atingiu sucessivos topos históricos, superando US$ 124 mil ainda em agosto e chegando a cravar cerca de US$ 126 mil em outubro . O Ethereum também brilhou nesse período, alcançando US$ 5.000 pela primeira vez em abril – um recorde histórico impulsionado por um salto de 260% desde o início do ano . Esses movimentos refletiram o aumento do apetite por risco global e um contexto favorável, incluindo expectativas de corte de juros nos EUA e busca por hedge contra inflação. A aprovação de uma legislação nos EUA trazendo regras claras para stablecoins, bem como um acordo de cooperação entre SEC e CFTC para fomentar a inovação em ativos digitais, sinalizaram progresso regulatório . Além disso, a tão aguardada onda de ETFs de Bitcoin finalmente ganhou força: grandes fundos de índice lastreados em BTC atraíram mais de US$ 25 bilhões em fluxos ao longo do ano, elevando o total de ativos sob gestão desses produtos a cerca de US$ 169 bilhões . Essa entrada maciça de capital institucional ajudou a consolidar o Bitcoin como “reserva de valor digital”, alimentando o rally inicial. No Brasil, esse otimismo global também se refletiu – o BTC chegou a encostar em R$ 700 mil no pico do mercado, e o setor cripto ganhou espaço como alternativa diante de um real relativamente estável.

Entretanto, o segundo semestre de 2025 trouxe um forte teste de resistência. Em outubro, após renovar máximas, o Bitcoin sofreu um “flash crash” de cerca de 10% em questão de minutos , desencadeando liquidações alavancadas e realizações de lucro que derrubaram o mercado. A partir desse ponto, instalou-se uma correção prolongada: o BTC encerrou o ano rondando US$ 90 mil – cerca de 30% abaixo do pico – e acumulando queda anual de ~6% em dólares (em reais, recuo próximo a 17%, como destacado). Essa foi apenas a terceira vez na última década que o Bitcoin fecha um ano no vermelho. A correção expôs as limitações de algumas teses otimistas: projeções de preço entre US$ 180-200 mil não se concretizaram, em grande parte devido ao ambiente macroeconômico adverso e ao menor fluxo de entrada no fim do ano . O Federal Reserve cortou juros menos do que o mercado esperava, mantendo o custo do dinheiro relativamente alto, e discussões como tarifas comerciais e temores inflacionários aumentaram a aversão a risco . Grandes baleias (investidores com posições expressivas) aproveitaram as altas para vender parte de seus holdings, pressionando os preços para baixo . Apesar do sentimento mais pessimista nos últimos meses, especialistas ponderam que essa queda de fim de ano não representa uma inversão de tendência de longo prazo – com a expectativa de novos cortes de juros nos EUA em 2026, ativos arriscados como criptos podem voltar a se beneficiar . De fato, muitos indicadores on-chain e técnicos apontam que a correção trouxe valuations de Bitcoin e Ethereum para níveis atrativos, com grandes players possivelmente se posicionando novamente para o próximo ciclo de alta.

Um dos aspectos mais interessantes de 2025 foi a diversificação do desempenho entre setores e ativos. Enquanto Bitcoin e Ethereum – as duas maiores criptomoedas – ficaram fora da lista de maiores altas do ano, algumas moedas alternativas (altcoins) registraram ganhos impressionantes . O pódio de valorizações foi liderado por projetos relativamente obscuros: em primeiro lugar ficou a Pippin (PIPPIN), um token meme ligado à tendência de inteligência artificial, que acumulou surpreendentes +6.378% no ano . Em seguida, apareceu a AB (AB), ativo originado de um projeto de infraestrutura comunitária, com alta de +2.790% . Fechando o “top 3”, uma veterana do mercado: a Zcash (ZEC), criptomoeda focada em privacidade, valorizou cerca de +683% em 2025 , refletindo o grande interesse do mercado por privacidade e anonimato em transações. Outras moedas de destaque incluíram a também privada Monero (XMR) (+128%) e o token de corretora OKB (+121%), que se beneficiou do aumento no volume de negociação cripto . Esses resultados mostram que setores específicos despontaram: tokens ligados à IA (como Pippin) ganharam tração em meio ao hype de inteligência artificial, projetos de infraestrutura e economia comunitária (caso da AB) chamaram atenção, e criptos de privacidade tiveram um renascimento notável, especialmente no quarto trimestre, à medida que usuários buscaram mais anonimato. Em contraste, nem tudo foram flores: algumas narrativas promissoras não vingaram em 2025. Por exemplo, os tokens de **“segunda camada” do Ethereum, como a Optimism (OP), caíram cerca de -85% no ano , após muito otimismo inicial com escalabilidade. Outros projetos focados em contratos inteligentes na rede Bitcoin (Stacks, STX) e protocolos experimentais também amargaram perdas acima de 80% . Esses desempenhos díspares ressaltam a volatilidade e a seleção natural do setor cripto: enquanto uns projetos dispararam milhares por cento, outros perderam valor de forma drástica, muitas vezes separando o hype da adoção real.

Entre os ativos líderes, o balanço de 2025 foi moderado. O Bitcoin reafirmou sua posição de dominância – chegou a representar mais de 50% do valor de mercado total em diversos momentos – mas fechou o ano com leve perda, frustrando quem esperava ganhos estratosféricos. Já o Ethereum (ETH) teve um ano mais difícil: apesar de ter renovado sua máxima histórica (US$ 5 mil) em abril, a principal altcoin terminou 2025 em queda de cerca de 12% , cotada abaixo de US$ 3 mil. A atualização contínua do ecossistema ETH (pós-Merge e Shanghai) manteve o interesse de desenvolvedores, mas a concorrência de outras plataformas smart contracts e a realização de lucros pesaram. Mesmo assim, há otimismo para o Ethereum: analistas notaram que, no fim de 2025, o preço do ETH estava próximo do preço médio de compra das “baleias” (investidores institucionais e de longo prazo), o que historicamente tem sido um sinal de fundo e oportunidade de compra . Espera-se que a possível aprovação de ETFs de Ethereum e o retorno de fluxos institucionais possam levar o ETH novamente à casa de US$ 5.000 nos próximos meses . Em termos de tendências setoriais, além da privacidade e da IA já mencionadas, 2025 consolidou a importância das finanças descentralizadas (DeFi) – com crescimento em protocolos de empréstimo e derivativos – e trouxe de volta ao radar os ativos do mundo real tokenizados (RWA), como imóveis e títulos públicos na blockchain, apontados por especialistas como um dos próximos grandes temas. No Brasil, o ano também marcou a entrada de investidores tradicionais no universo cripto: a B3 (Bolsa de Valores brasileira) listou novos ETFs de criptomoedas e produtos ligados a Bitcoin, facilitando o acesso ao investimento em criptoativos no mercado local. Em retrospectiva, 2025 foi um ano de contrastes para as criptomoedas: houve euforia e conquista de novos patamares, seguida de correção e seleção natural dos projetos. O saldo final mostra um mercado mais maduro e diversificado, que soube incorporar inovações (como a tokenização e a IA) e resistir a choques macroeconômicos. Para 2026, especialistas sugerem atenção a continuidade dessas tendências – incluindo a regulamentação de stablecoins e a definição clara de quais criptoativos são valores mobiliários ou commodities – fatores que podem ditar os rumos do próximo ciclo. Após um 2025 de aprendizagem, o mercado cripto entra em 2026 com cautela, porém reforçado pelas lições do ano dos recordes e correções.