PIB do Brasil deve esfriar, mas inflação sob controle
A economia deve crescer menos em 2026, mas com inflação na meta. Entenda o que esperar para o Brasil.
BOLSA DE VALORES 02/01
Redação Bolsa Descomplicada
1/2/20262 min read
Após um ano de recuperação sólida, a economia brasileira pode perder ritmo em 2026, embora a inflação esteja convergindo para níveis mais confortáveis. Segundo projeções do FMI, o PIB do Brasil cresceu cerca de 2,4% em 2025, mas deve desacelerar para algo em torno de 1,9% em 2026. Esse arrefecimento esperado – um crescimento mais modesto – é atribuído ao efeito defasado da política monetária restritiva e a um cenário externo menos favorável. Durante 2025, o Banco Central manteve a taxa básica de juros (Selic) em patamar elevado (15% ao ano) para conter a inflação. Essa estratégia conseguiu resultados: a inflação anual fechou 2025 em aproximadamente 5,2% e deve cair para perto de 4,0% em 2026, praticamente dentro da meta oficial (3,0% ±1.5). Ou seja, os preços no Brasil tendem a subir de forma mais controlada, aliviando a pressão sobre o custo de vida.
Com a inflação sob controle, abre-se espaço para eventuais cortes de juros no decorrer de 2026, o que pode estimular a atividade econômica. No entanto, inicialmente, a manutenção da Selic alta por um período prolongado – estratégia já sinalizada pelo BC para garantir a convergência da inflação – ainda deve frear investimentos e consumo no curto prazo. Setores como indústria e comércio podem sentir um esfriamento, após o forte impulso observado em 2025. Em contraste, espera-se que a confiança no ambiente macroeconômico melhore, graças à trajetória de queda inflacionária e ao compromisso fiscal do governo. O próprio Ministério da Fazenda projeta um crescimento um pouco mais otimista (em torno de 2,4% para 2026), apostando em reformas e investimentos em infraestrutura para elevar a produtividade. De qualquer forma, o Brasil inicia 2026 em uma posição relativamente estável: dívida pública e contas externas sob vigilância, mas com inflação domada – um cenário que, se bem administrado, pode permitir um pouso suave da economia, evitando recessão e preparando terreno para uma retomada mais forte adiante.