Ibovespa bate recordes em 2025 e anima investidores para 2026
Principal índice da Bolsa de Valores brasileira fechou 2025 com alta de 34%, melhor desempenho em quase uma década. O Ibovespa atingiu patamar inédito acima de 160 mil pontos, impulsionado por fluxos estrangeiros e perspectiva de corte de juros domésticos, enquanto o real se fortaleceu frente ao dólar.
BOLSA DE VALORES 01/01
Redação Bolsa Descomplicada
1/2/20263 min read


A Bolsa de Valores brasileira encerrou 2025 em clima de euforia. O Ibovespa, principal índice de ações do país, acumulou uma valorização anual de cerca de 34%, registrando seu melhor desempenho desde 2016. No último pregão do ano, em 30 de dezembro, o índice subiu 0,40% e atingiu 161.125 pontos no fechamento – um nível recorde histórico. Esse rali impressionante marcou uma virada notável, já que o mercado iniciou 2025 em baixa e em meio ao pessimismo, mas foi ganhando tração ao longo dos meses. Analistas ressaltaram que o Ibovespa começou o ano praticamente na mínima e terminou próximo da máxima, indicando uma tendência positiva consistente que pode se estender para 2026. Foram 32 recordes de pontuação de fechamento ao longo do ano, refletindo um apetite crescente por ações brasileiras.
Vários fatores explicam esse desempenho extraordinário. No cenário internacional, a expectativa de mudança na política monetária dos Estados Unidos foi determinante. Com a inflação sob controle, aumentaram as apostas de que o Federal Reserve iniciaria um ciclo de corte de juros. Essa perspectiva desencadeou um movimento global de rotação de portfólios, levando investidores a direcionar recursos para mercados emergentes. O Brasil se beneficiou duplamente: além do fluxo externo, a própria economia doméstica deu sinais encorajadores. Indicadores como a queda do desemprego para 5,2% – a menor taxa desde 2012 – sinalizaram melhora no mercado de trabalho, embora o crescimento econômico tenha sido moderado. A expectativa de que o Banco Central reduza a taxa Selic em 2026, com a inflação controlada, animou os mercados, pois juros menores tendem a impulsionar lucros empresariais e tornar ações mais atrativas.
Com esse cenário, investidores estrangeiros fizeram apostas pesadas na B3 ao longo do ano. Dados da Bolsa mostram um saldo líquido de quase R$ 27 bilhões em investimentos estrangeiros em 2025, desconsiderando IPOs. Atualmente, cerca de 58% do volume negociado na bolsa já vem de participantes internacionais. Esse ingresso de capital deu fôlego extra ao Ibovespa, compensando saídas pontuais de investidores locais. “O investidor internacional coroou o mercado brasileiro em 2025”, resumiu um analista, destacando a atratividade dos ativos brasileiros e a melhora na percepção de risco do país.
Entre os setores de destaque, os bancos se destacaram com forte recuperação, aproveitando inadimplência sob controle e bons resultados. Na última sessão do ano, ações de Itaú, Banco do Brasil e Santander fecharam em alta. A Vale também subiu ao longo de 2025, impulsionada pelos preços do minério de ferro, embora tenha enfrentado ajustes em momentos de queda da commodity. A Petrobras teve ano positivo, beneficiada por preços estáveis do petróleo e uma governança bem aceita pelo mercado. Por outro lado, ações da Natura registraram perdas acima de 40% no ano, reflexo de dificuldades internas. De modo geral, a maior parte das ações teve desempenho positivo, e várias médias empresas chegaram a dobrar de valor.
No câmbio, o real também se valorizou frente ao dólar. A moeda americana, que iniciou 2025 acima de R$ 6, encerrou dezembro em torno de R$ 5,49 – uma queda de cerca de 11%. Esse movimento reflete a entrada de capital estrangeiro e fundamentos mais sólidos da economia brasileira. Em certos momentos, o dólar chegou a R$ 5,30, influenciado pela expectativa de corte de juros nos EUA. Para os brasileiros, o real mais forte ajudou a conter a inflação de importados e a reduzir custos com viagens internacionais. Porém, a valorização da moeda local também trouxe desafios para exportadores.
As perspectivas para 2026 são de otimismo moderado. Analistas acreditam que a alta pode continuar, ainda que em ritmo mais brando. O foco agora será a agenda de reformas econômicas e a política monetária. Se a Selic começar a cair no primeiro trimestre, ações de setores como construção, varejo e indústria podem se beneficiar. Contudo, fatores externos como a economia chinesa e riscos geopolíticos continuam no radar. O sentimento geral é de confiança de que o Brasil inicia 2026 com uma base sólida: inflação sob controle, contas públicas ajustadas e mercado financeiro aquecido.
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